Apresentação :
"O Instituto de Humanidades foi criado em 1986. Seu principal objetivo é despertar, nos círculos acadêmicos, o interesse pela cultura geral. O Curso de Humanidades tornou-se a principal criação do Instituto de Humanidades. Muitas universidades adotaram segmentos isolados, já que se achava subdividido em cinco disciplinas (Cultura Ocidental; Política, Moral, Religião e Filosofia). Contudo, a principal forma de sua difusão veio a ser a modalidade à distância".
Além do Curso de Humanidades, o instituto oferece outros cursos autônomos. Importante destacar que o material didático-pedagógico utilizado tanto no Curso de Humanidades, quanto nos cursos autônomos estão no site para download.
Também estão no site, para download, dentre outras, as obras dos reconhecidos filósofos Antonio Paim, Ricardo Velez Rodrigues e Leonardo Prota.
Este sítio registra e divulga as atividades e o pensamento dos membros da Academia Mourãoense de Filosofia.
sexta-feira, 18 de março de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Hoje tivemos mais uma reunião da Academia Mourãoense de Filosofia, com a presença e cinco membros efetivos e mais um convidado, o Professor Matheus Mamede,recentemente radicado em Campo Mourão, vindo de uma cidade do Estado de São Paulo. A reunião tratou dos assuntos gerais da Academia, entre eles, da organização dos trabalhos para o ano de 2011. O Presidente José Mateus Bido fez a apresentação da Revista Arché Sophias, em seu primeiro número indexado (ISBN). Composta por dez artigos, resultantes de pesquisas dos membros da Academia, com capa e diagramação de Rodrigo Seccon e Amani Spachinski de Oliveira, Edição do professor Assabido Rhoden, Revisão de Amani Spachinski de Oliveira e Assabido Rhoden e Impressão feita pela Gráfica Ivaí, a Revista da Academia Mourãoense de Filosofia era uma das aspirações de seus membros e sua viabilização só foi possível graças aos esforços dos membros já citados e da generosa contribuição de algumas empresas de Campo Mourão, a saber: Rede MacFarma, Auto Peças Cometa, Campo Lustres, Tonello Business Hotel, Cartório Acir e SENAC. Os interessados em adquirír o primeiro número da revista podem fazê-lo com o professor Assabido Rhoden. A próxima reunião da Academia está agendada para o dia 26 de Março, as 15 horas, no SENAC.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Introdução sobre o Conhecimento
Prof. Paulo Eugênio Cardoso
INTRODUÇAO
Aristóteles, dizia que "o homem tem naturalmente o desejo de conhecer”.
O homem este ser incrível, inquieto e muitas vezes contraditório, é aquele que antes mesmo de nascer vai começar o processo para conhecimento. Ao longo da vida,cercado de dúvidas, continua o seu processo para conhecer.Mas o que conhecimento? Será possível conhecer algo de fato? Como ter certeza do que se sabe? Não se pode estar sonhando, tomando por real aquilo que pode ser imaginário como pensaram ou pensam alguns estudiosos deste assunto? Será que todas as pessoas aprendem da forma igual?Será que só a ciência pode oferecer conhecimento verdadeiro? A intenção deste artigo como veremos neste texto é trazer uma reflexão sobre este tema tão importante para todas as pessoas.
1. MAS O QUE É CONHECIMENTO ?
Segundo (CYRINO & PENHA, 1992, p.13)"conhecer é elaborar um modelo de realidade" e "projetar ordem onde havia caos".
Para ARANHA e MARTINS, 2005, p.98)” É o ato, o processo pelo qual o sujeito se coloca no mundo e, como ele estabelece uma ligação”
É ainda:“A relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou que se deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer”.
No entanto, para se compreender melhor este tema, é preciso fazer um retorno à Grécia Antiga onde havia uma intensa relação dos gregos com o conhecimento, levando assim ao desenvolvimento de diversos termos,através dos quais eles podiam refletir e discriminar sobre esta temática.Veja então alguns vocábulos gregos que são freqüentemente traduzidos como “conhecimento”.
O primeiro termo é [] “Gnosis”. É o grau mais alto de Conhecimento.É o conhecimento das causas primeiras,do princípio do Cosmos.Para os Gregos, Gnosis representava um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem.Para Platão, esse era o conhecimento da essência do Universo, seu Princípio e seu Fim. Sua busca era para ele o sentido da vida humana.Esta é a razão pela qual diversos movimentos filosófico-religiosos de cunho esotérico são chamados de Gnósticos,na medida em que pregam a salvação pelo conhecimento do Divino,reservado apenas aos iniciados.
O segundo termo, [“Techne”, com significado similar. Então qual a diferença? Techne refere-se ao que normalmente se chamamos de Técnica, ou talvez mesmo Tecnologia.É o saber do artesão, “saber fazer”,”conhecimento prático”.
O terceiro termo é [ἐπιστήμη] “episteme”, ciência,conhecimento; λόγος logos, discurso. Episteme diz respeito ao saber superior, mas aplicado.Está relacionado ao que chamamos de Ciência,o conhecimento científico,indo além da Techne por ser um conhecimento que inclui leis e causas.O artesão sabe fazer algo,mas não sabe os porquês por trás do que faz.
A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento (daí também se designar por Filosofia do conhecimento). Ela se relaciona ainda com a metafísica,a lógica e o empirismo,uma vez que avalia a consistência lógica da teoria e sua coesão do fato, sendo assim a principal dentre as vertentes da filosofia (é considerada a "corregedoria" da ciência).
Pode-se dizer que a epistemologia se origina em Platão. Ele opõe a crença ou opinião ("doxa", em grego) ao conhecimento. A ciência é baseada na opinião e a crença é um determinado ponto de vista subjetivo.
_________________
1 Bacharel em Teologia ,Escritor,Psicopedagogo,Prof. de Metodologia da Pesquisa Científica, Filosofia, Sociologia e Artes,acadêmico de pedagogia; membro (AME)da associação Mourãoense de Escritores de CM; membro da academia Mourãoense de Filosofia de CM.
A teoria de Platão abrange o conhecimento teórico,o saber que. Tal tipo de conhecimento é o conjunto de todas aquelas informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que rodeia os indivíduos.
2. OS DIVERSOS TIPOS DE CONHECIMENTO E SABERES
2.1. O conhecimento mítico. Trata-se de uma modalidade de conhecimento baseado na intuição e que deriva do entendimento de que existem modelos naturais e sobrenaturais dos quais brota o sentido de tudo o que existe.É um tipo de conhecimento que ajuda o ser humano a "explicar" o mundo por meio de representações que não são logicamente raciocinadas,nem resultantes de experimentações científicas.
Segundo CYRINO & PENHA, 1992, p.14.”O conhecimento mítico é expresso por meio de linguagem simbólica e imaginária "(Assim,ainda que o conhecimento mítico crie representações para atribuir um sentido às coisas,ele ainda se baseia na crença de que seres fantásticos e suas histórias sobrenaturais é que são os responsáveis pela razão de ser do existente.
2.2.O saber da vida(Senso Comum): Esse tipo de saber baseia-se na vivência espontânea da vida e começa a ser construído tão logo o homem seja lançado no mundo. Ele vive esse processo até o dia de sua morte. Por isso,tudo o que diz respeito à condução da vida na terra pode se tornar objeto a ser "explorado" e representado nesse nível de conhecimento da realidade.
As características desse tipo de saber compreendem a não-sistematicidade, razão pela qual ele não é produzido com base em procedimentos metodológicos, feitos para conduzir a relação sujeito-objeto. O que resulta dessa relação com o mundo é um saber que muitos chamam saber empírico, vulgar ou, ainda, senso comum.
2.3 O conhecimento filosófico: É racional. Baseia-se na especulação em torno do real, tendo como objeto a busca da verdade. Por isso, diz-se que é uma atitude. Ele é sistemático, mas não experimental. Vai à raiz das coisas e é produzido segundo o rigor lógico que a razão exige de um conhecimento que se quer buscando a verdade do existente.
Nessa busca, o conhecimento filosófico busca os "porquês" de tudo o que existe. É ativo, pois coloca o humano em busca de respostas para as inúmeras perguntas que ele próprio pode formular. Exemplos: Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Qual é o valor da vida humana? O que é o tempo? O que é o sentido da vida?
2.4. Conhecimento teológico: Se o saber da vida se baseia na experiência de vida e é espontâneo, e se o conhecimento mítico fundamenta-se na crença em seres fantásticos e é elaborado fora da lógica racional, o saber teológico fundamenta-se na fé. É dedutivo por partir de uma realidade universal para representar e atribuir sentido a realidades particulares.
Desse modo, o conhecimento teológico parte da compreensão e da aceitação da existência de um Deus ou de deuses, os quais constituem a razão de ser de todas as coisas. Esses seres "revelam-se" aos humanos. Dão ao homem e à mulher as suas verdades, as quais se caracterizam por serem indiscutíveis e inquestionáveis. Se assim são, a razão não precisa compreender esses dogmas, mas aceitá-los. É esse processo que o conhecimento teológico investiga e tenta explicar
2.5 Conhecimento científico: Semelhantemente ao conhecimento filosófico, o saber científico também é racional e é produzido mediante a investigação da realidade, seja por meio de experimentos seja por meio da busca do entendimento lógico de fatos, fenômenos, relações, coisas, seres e acontecimentos que ocorrem na realidade cósmica, humana e natural.
Trata-se de um conhecimento que é sistemático, metódico e que não é realizado de maneira espontânea, intuitiva, baseada na fé ou simplesmente na lógica racional. Ele prevê, ainda, experimentação,validação e comprovação daquilo a que chega a título de representação do real.Mediante as leis a que chega,o conhecimento científico possibilita ao ser humano elaborar instrumentos os quais são utilizados para intervir na realidade e transformá-la para melhor ou para pior.
2.6. Conhecimento técnico. O fundamento básico desse tipo de conhecimento é o saber fazer, a operacionalização. Tem como objeto o domínio do mundo e da natureza. É especializado e específico e se esmera na aplicação de todos os outros saberes que lhe podem ser úteis. Trata-se de um tipo de saber que auxilia o indivíduo a agir no mundo, levando-o às mais diversas atividades visando à produção técnica da vida. A supervalorização da técnica pode levar a um ativismo que coloque em segundo plano as atividades de pensar e de compreender os "porquês" das coisas, razão pela qual o emprego da tecnologia requer prudência e bom senso.
2.7. O saber das artes
As artes e os saberes que elas possibilitam valorizam os sentimentos, a emoção e a intuição racio-sentimental humana. Se o saber da vida busca ordem para preencher o vazio de sentido do caos; se o conhecimento mítico busca na crença a razão de ser de todas as coisas; se a teologia fundamenta-se na idéia de deuses para buscar as verdades acabadas a serem observadas pelo ser humano; se a filosofia busca as representações racionais da realidade; se a ciência busca conhecer de maneira comprovada e segura; se a técnica busca aplicar conhecimentos... o saber das artes busca o belo.
Nesse sentido, o saber das artes valoriza as experiências estéticas do humano, proporcionando-lhe o refinamento do espírito ao oferecer-lhe a relação com senso do gosto, do belo e do grotesco.
Experimentar o belo e extrair dele a matéria fundamenta para o refinamento de si mesmo é a finalidade maior de tudo aquilo que se produz em termos de artes e sem as quais o ser humano se vê empobrecido e “pequenificado.
3. OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DA TEORIA DO CONHECIMENTO
Não basta apenas desejar conhecer, é preciso saber como se conhece, por isso, vários pensadores se debruçaram sobre esta temática fazendo assim várias escolas.
As possibilidades do conhecimento: O ceticismo prega a impossibilidade da verdade a ser conhecida.
Ceticismo absoluto: Tudo é ilusório e passageiro. Consiste em negar de forma total a possibilidade de conhecer a verdade. Assim, o homem nada pode afirmar, pois nada pode conhecer. Ao dizer que nada é verdadeiro, o ceticismo absoluto anula a si próprio, pois diz que nada é verdadeiro, mas acaba afirmando que pelo menos existe algo de verdadeiro.
O ceticismo relativo: Nega apenas parcialmente a capacidade de conhecer a verdade.
Dogmatismo: É uma doutrina que defende a possibilidade de se conhecer a verdade. Dogmatismo ingênuo: Consiste em acreditar plenamente nas possibilidades do conhecimento. Dogmatismo crítico: Acredita na capacidade de conhecer a verdade mediante um esforço conjugado de sentidos e inteligência pessoal.
Empirismo: Defende que todas as idéias são provenientes de percepções sensoriais (visão, audição, tato, olfato e paladar).
Racionalismo crítico e materialismo dialético: A experiência e o trabalho da razão depositam total e exclusiva confiança na razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao concluirmos esta introdução sobre o estudo do conhecimento, verifica-se que na busca de conhecer o que significa “conhecimento”, o homem percebeu ao mesmo tempo que este pode ser simples e simultaneamente complexo,mas ele não se deixou dominar e continua processo de conhecimento.
REFERÊNCIAS:
BUNGE, Mario. Epistemologia: curso de atualização. São Paulo: T. A. Queiroz/EDUSP, 1980, capítulo 2.
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
CHARLOT, B. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Trad. B. Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000.
CHAUÍ, M. Primeira filosofia: aspectos da história da filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1987.
CYRINO, H. & PENHA, C. Filosofia hoje. 2. ed. Campinas: Papirus, 1992.
HEGENBERG, Leônidas. Explicações científicas: introdução à filosofia da ciência. São Paulo: E.P.U. EDUSP, 1973, segunda parte, capítulo 5.
LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina A... Metodologia Científica. 6. ed. - 4. Reimpr. São Paulo: Atlas, 2007.
Disponível em: acessado em 21.10.08.
SOARES, José Joaquim. Disponível em . acesso em 28 .05.07
Disponível em: http://www.gnosisbr.com.br/blog/site/?page_id=11> acessado em 16.06.08
Disponível em: http://www.jornallivre.com.br/5422/artigos-epistemologia-ou-teoria-do-conhecimento.htm.>acessado em 16.06.08.
INTRODUÇAO
Aristóteles, dizia que "o homem tem naturalmente o desejo de conhecer”.
O homem este ser incrível, inquieto e muitas vezes contraditório, é aquele que antes mesmo de nascer vai começar o processo para conhecimento. Ao longo da vida,cercado de dúvidas, continua o seu processo para conhecer.Mas o que conhecimento? Será possível conhecer algo de fato? Como ter certeza do que se sabe? Não se pode estar sonhando, tomando por real aquilo que pode ser imaginário como pensaram ou pensam alguns estudiosos deste assunto? Será que todas as pessoas aprendem da forma igual?Será que só a ciência pode oferecer conhecimento verdadeiro? A intenção deste artigo como veremos neste texto é trazer uma reflexão sobre este tema tão importante para todas as pessoas.
1. MAS O QUE É CONHECIMENTO ?
Segundo (CYRINO & PENHA, 1992, p.13)"conhecer é elaborar um modelo de realidade" e "projetar ordem onde havia caos".
Para ARANHA e MARTINS, 2005, p.98)” É o ato, o processo pelo qual o sujeito se coloca no mundo e, como ele estabelece uma ligação”
É ainda:“A relação que se estabelece entre sujeito que conhece ou que se deseja conhecer e o objeto a ser conhecido ou que se dá a conhecer”.
No entanto, para se compreender melhor este tema, é preciso fazer um retorno à Grécia Antiga onde havia uma intensa relação dos gregos com o conhecimento, levando assim ao desenvolvimento de diversos termos,através dos quais eles podiam refletir e discriminar sobre esta temática.Veja então alguns vocábulos gregos que são freqüentemente traduzidos como “conhecimento”.
O primeiro termo é [] “Gnosis”. É o grau mais alto de Conhecimento.É o conhecimento das causas primeiras,do princípio do Cosmos.Para os Gregos, Gnosis representava um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem.Para Platão, esse era o conhecimento da essência do Universo, seu Princípio e seu Fim. Sua busca era para ele o sentido da vida humana.Esta é a razão pela qual diversos movimentos filosófico-religiosos de cunho esotérico são chamados de Gnósticos,na medida em que pregam a salvação pelo conhecimento do Divino,reservado apenas aos iniciados.
O segundo termo, [“Techne”, com significado similar. Então qual a diferença? Techne refere-se ao que normalmente se chamamos de Técnica, ou talvez mesmo Tecnologia.É o saber do artesão, “saber fazer”,”conhecimento prático”.
O terceiro termo é [ἐπιστήμη] “episteme”, ciência,conhecimento; λόγος logos, discurso. Episteme diz respeito ao saber superior, mas aplicado.Está relacionado ao que chamamos de Ciência,o conhecimento científico,indo além da Techne por ser um conhecimento que inclui leis e causas.O artesão sabe fazer algo,mas não sabe os porquês por trás do que faz.
A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento (daí também se designar por Filosofia do conhecimento). Ela se relaciona ainda com a metafísica,a lógica e o empirismo,uma vez que avalia a consistência lógica da teoria e sua coesão do fato, sendo assim a principal dentre as vertentes da filosofia (é considerada a "corregedoria" da ciência).
Pode-se dizer que a epistemologia se origina em Platão. Ele opõe a crença ou opinião ("doxa", em grego) ao conhecimento. A ciência é baseada na opinião e a crença é um determinado ponto de vista subjetivo.
_________________
1 Bacharel em Teologia ,Escritor,Psicopedagogo,Prof. de Metodologia da Pesquisa Científica, Filosofia, Sociologia e Artes,acadêmico de pedagogia; membro (AME)da associação Mourãoense de Escritores de CM; membro da academia Mourãoense de Filosofia de CM.
A teoria de Platão abrange o conhecimento teórico,o saber que. Tal tipo de conhecimento é o conjunto de todas aquelas informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que rodeia os indivíduos.
2. OS DIVERSOS TIPOS DE CONHECIMENTO E SABERES
2.1. O conhecimento mítico. Trata-se de uma modalidade de conhecimento baseado na intuição e que deriva do entendimento de que existem modelos naturais e sobrenaturais dos quais brota o sentido de tudo o que existe.É um tipo de conhecimento que ajuda o ser humano a "explicar" o mundo por meio de representações que não são logicamente raciocinadas,nem resultantes de experimentações científicas.
Segundo CYRINO & PENHA, 1992, p.14.”O conhecimento mítico é expresso por meio de linguagem simbólica e imaginária "(Assim,ainda que o conhecimento mítico crie representações para atribuir um sentido às coisas,ele ainda se baseia na crença de que seres fantásticos e suas histórias sobrenaturais é que são os responsáveis pela razão de ser do existente.
2.2.O saber da vida(Senso Comum): Esse tipo de saber baseia-se na vivência espontânea da vida e começa a ser construído tão logo o homem seja lançado no mundo. Ele vive esse processo até o dia de sua morte. Por isso,tudo o que diz respeito à condução da vida na terra pode se tornar objeto a ser "explorado" e representado nesse nível de conhecimento da realidade.
As características desse tipo de saber compreendem a não-sistematicidade, razão pela qual ele não é produzido com base em procedimentos metodológicos, feitos para conduzir a relação sujeito-objeto. O que resulta dessa relação com o mundo é um saber que muitos chamam saber empírico, vulgar ou, ainda, senso comum.
2.3 O conhecimento filosófico: É racional. Baseia-se na especulação em torno do real, tendo como objeto a busca da verdade. Por isso, diz-se que é uma atitude. Ele é sistemático, mas não experimental. Vai à raiz das coisas e é produzido segundo o rigor lógico que a razão exige de um conhecimento que se quer buscando a verdade do existente.
Nessa busca, o conhecimento filosófico busca os "porquês" de tudo o que existe. É ativo, pois coloca o humano em busca de respostas para as inúmeras perguntas que ele próprio pode formular. Exemplos: Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Qual é o valor da vida humana? O que é o tempo? O que é o sentido da vida?
2.4. Conhecimento teológico: Se o saber da vida se baseia na experiência de vida e é espontâneo, e se o conhecimento mítico fundamenta-se na crença em seres fantásticos e é elaborado fora da lógica racional, o saber teológico fundamenta-se na fé. É dedutivo por partir de uma realidade universal para representar e atribuir sentido a realidades particulares.
Desse modo, o conhecimento teológico parte da compreensão e da aceitação da existência de um Deus ou de deuses, os quais constituem a razão de ser de todas as coisas. Esses seres "revelam-se" aos humanos. Dão ao homem e à mulher as suas verdades, as quais se caracterizam por serem indiscutíveis e inquestionáveis. Se assim são, a razão não precisa compreender esses dogmas, mas aceitá-los. É esse processo que o conhecimento teológico investiga e tenta explicar
2.5 Conhecimento científico: Semelhantemente ao conhecimento filosófico, o saber científico também é racional e é produzido mediante a investigação da realidade, seja por meio de experimentos seja por meio da busca do entendimento lógico de fatos, fenômenos, relações, coisas, seres e acontecimentos que ocorrem na realidade cósmica, humana e natural.
Trata-se de um conhecimento que é sistemático, metódico e que não é realizado de maneira espontânea, intuitiva, baseada na fé ou simplesmente na lógica racional. Ele prevê, ainda, experimentação,validação e comprovação daquilo a que chega a título de representação do real.Mediante as leis a que chega,o conhecimento científico possibilita ao ser humano elaborar instrumentos os quais são utilizados para intervir na realidade e transformá-la para melhor ou para pior.
2.6. Conhecimento técnico. O fundamento básico desse tipo de conhecimento é o saber fazer, a operacionalização. Tem como objeto o domínio do mundo e da natureza. É especializado e específico e se esmera na aplicação de todos os outros saberes que lhe podem ser úteis. Trata-se de um tipo de saber que auxilia o indivíduo a agir no mundo, levando-o às mais diversas atividades visando à produção técnica da vida. A supervalorização da técnica pode levar a um ativismo que coloque em segundo plano as atividades de pensar e de compreender os "porquês" das coisas, razão pela qual o emprego da tecnologia requer prudência e bom senso.
2.7. O saber das artes
As artes e os saberes que elas possibilitam valorizam os sentimentos, a emoção e a intuição racio-sentimental humana. Se o saber da vida busca ordem para preencher o vazio de sentido do caos; se o conhecimento mítico busca na crença a razão de ser de todas as coisas; se a teologia fundamenta-se na idéia de deuses para buscar as verdades acabadas a serem observadas pelo ser humano; se a filosofia busca as representações racionais da realidade; se a ciência busca conhecer de maneira comprovada e segura; se a técnica busca aplicar conhecimentos... o saber das artes busca o belo.
Nesse sentido, o saber das artes valoriza as experiências estéticas do humano, proporcionando-lhe o refinamento do espírito ao oferecer-lhe a relação com senso do gosto, do belo e do grotesco.
Experimentar o belo e extrair dele a matéria fundamenta para o refinamento de si mesmo é a finalidade maior de tudo aquilo que se produz em termos de artes e sem as quais o ser humano se vê empobrecido e “pequenificado.
3. OS PRINCIPAIS PROBLEMAS DA TEORIA DO CONHECIMENTO
Não basta apenas desejar conhecer, é preciso saber como se conhece, por isso, vários pensadores se debruçaram sobre esta temática fazendo assim várias escolas.
As possibilidades do conhecimento: O ceticismo prega a impossibilidade da verdade a ser conhecida.
Ceticismo absoluto: Tudo é ilusório e passageiro. Consiste em negar de forma total a possibilidade de conhecer a verdade. Assim, o homem nada pode afirmar, pois nada pode conhecer. Ao dizer que nada é verdadeiro, o ceticismo absoluto anula a si próprio, pois diz que nada é verdadeiro, mas acaba afirmando que pelo menos existe algo de verdadeiro.
O ceticismo relativo: Nega apenas parcialmente a capacidade de conhecer a verdade.
Dogmatismo: É uma doutrina que defende a possibilidade de se conhecer a verdade. Dogmatismo ingênuo: Consiste em acreditar plenamente nas possibilidades do conhecimento. Dogmatismo crítico: Acredita na capacidade de conhecer a verdade mediante um esforço conjugado de sentidos e inteligência pessoal.
Empirismo: Defende que todas as idéias são provenientes de percepções sensoriais (visão, audição, tato, olfato e paladar).
Racionalismo crítico e materialismo dialético: A experiência e o trabalho da razão depositam total e exclusiva confiança na razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao concluirmos esta introdução sobre o estudo do conhecimento, verifica-se que na busca de conhecer o que significa “conhecimento”, o homem percebeu ao mesmo tempo que este pode ser simples e simultaneamente complexo,mas ele não se deixou dominar e continua processo de conhecimento.
REFERÊNCIAS:
BUNGE, Mario. Epistemologia: curso de atualização. São Paulo: T. A. Queiroz/EDUSP, 1980, capítulo 2.
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
CHARLOT, B. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Trad. B. Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000.
CHAUÍ, M. Primeira filosofia: aspectos da história da filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1987.
CYRINO, H. & PENHA, C. Filosofia hoje. 2. ed. Campinas: Papirus, 1992.
HEGENBERG, Leônidas. Explicações científicas: introdução à filosofia da ciência. São Paulo: E.P.U. EDUSP, 1973, segunda parte, capítulo 5.
LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina A... Metodologia Científica. 6. ed. - 4. Reimpr. São Paulo: Atlas, 2007.
Disponível em:
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
A PAIDÉIA COMO FORMAÇÃO INTEGRAL DO HOMEM
FACULDADE ESTADUAL DE CIÊNCIAS E LETRAS DE CAMPO MOURÃO
A PAIDÉIA COMO FORMAÇÃO INTEGRAL DO HOMEM.
José Carlos Paraguaio
O homem é um ser histórico e por si só, cultural, partindo desde as culturas mais antigas, desde o aparecimento do homem, o pensamento grego é um marco na evolução humana, influenciando todo o ocidente. Para que possamos entender esse processo, desenvolver-se-á conteúdos através da pesquisa bibliográfica, objetivando a disseminação desse conhecimento histórico, para contribuir com a formação de um homem íntegro em toda sua plenitude.
Segundo Paim: “Paidéia é um conceito que na Grécia antiga significava a educação plena do homem”. (in Prota, 2002:15).
A reflexão sobre educação, permite-nos dissertar que; educação é um processo em construção permanente, e o homem como um ser cultural, é um ser que se educa constantemente, que a Paidéia grega, colabora para que a teoria gramsciana constroem a nova sociedade caracterizada na formação da cidadania.
A Paidéia, é um tema difícil de definição, como também o é, a filosofia ou a cultura, tanto resistente e importante quanto deixar-se eu sua fórmula abstrata. Só entendemos o conceito quando o relacionamos com a realidade. Ao empregarmos o termo Paidéia, estamos exprimindo a idéia de pensamento do homem grego, porém as influências para o mundo latino e ocidental, usam as expressões modernas como civilização, cultura, tradição, literatura ou educação, para melhor compreensão, estudamo-las separadamente, os que seriam num conceito grego, estudam-nas todas de uma só vez. Enfim, valores como educação e cultura se concretizam através da literatura, retratando a expressão de toda cultura superior.
Estudo da história é o significado representativo e ilustrativo da realidade humana através dos tempos, assim sendo tem o seu valor em si mesma, de nada valeria se apenas fosse reportado pelo prazer do conhecimento erudito. Ao solicitar no presente, ensinamentos para os entendimentos de fatores que agora estão inseridos, vale dizer que há necessidade de buscar a compreensão histórica para antecipar as conseqüências dos fenômenos no ambiente do qual estamos inseridos. Enfatiza-se que no desenvolvimento da vida humana, manifesta-se a história da cultura que são produtos da mente humana, apresentando-se na arte, na técnica, na ciência, na moral ou na religião, cada um em suas instituições, donde a educação é uma dessas manifestações culturais que também registra sua história, como conceitua Luzuriaga:
“ Educação é a influência intencional e sistemática sobre o ser juvenil, com o propósito de formá-lo e desenvolvê-lo. Significa também; a ação genérica, ampla, de uma sociedade sobre as gerações jovens, com o fim de conservar e transmitir a existência coletiva”. ( 1971:1).
O mecanismo educacional não transforma o mecanismo funcional social, quanto a concepção de si e da missão de transformação do homem, nas instituições como pressupostos culturais resistentes a novas adaptações, que só se transformam como novas ideologias revolucionárias desconstruindo preciosos elementos de sua cultura, que causam conseqüências desastrosas levando séculos ou para várias gerações para reconstruí-las. No processo da educação em seus primórdios os homens primitivos, espontâneos e naturais aprendiam e ensinavam como rito de iniciação de convivência e sobrevivência, segundo Larroyo:
“ Os usos e costumes, as idéias religiosas e os ritos dos primitivos são assimilados pelas gerações jovens sem um mecanismo complexo. A devida forma das gerações adultas transmite-se às crianças e aos jovens por mera imitação: é uma rotina adaptar-se às necessidades materiais e religiosas da comunidade em que vivem”. (1970:46).
Como esse gênero de vida nos parece tão próximo das condições naturais, demonstra que a aprendizagem se faz com real suavidade. Como afirma Hubert: “ não há tribo, por mais humilde que seja, que não tenha patrimônio por transmitir, não só de mão em mão, mas de espírito a espírito”. ( História da Pedagogia, 1987:7).
A evolução da cultura do homem ao longo do tempo, contribui para a modificação de comportamentos, mas não permite o desaparecimento da educação primitiva. Hoje em época diferente, a família como primeira instituição social humana, permanece com suas superstições, suas histórias, brincadeira, segredos, tabus, folclores, transmitindo às novas gerações.
Reconsiderando a Idade Média um momento de privações em voltado para a Divindade, sai dali uma nova conduta do pensamento grego, com o surgimento institucional da cidade e racionalização do pensamento. Após vários séculos (20), de relações interrompidas com o Oriente, o Helenismo retoma o contato e contribui para que o Oriente tome consciência de si. Assim, o grego também se reconhece como sociedade reflexiva, original e sua competência superior sobre o mundo da barbárie, encontrando caminhos para o poder absoluto do Rei, passa a ter a participação do povo em debates públicos, locais de acesso a toda sociedade com objetivos iguais, de quem o Estado é o bem comum de todos os cidadãos.
Segundo Vernant, entre 200 e 1900 a. C. , uma nova população surge na Grécia continental, com suas casas, suas sepulturas, seus machados de guerra, suas armas de bronze, seus utensílios, sua cerâmica, são registros das rupturas dos homens com as civilizações anteriores, tornando-se novos povos colonizando e fixando-se no Mediterrâneo do lado ocidental, constituindo-se um novo mundo grego como conhecemos historicamente. Somente no séc. IX, os fenícios, redescobrem a escrita de maneira mais aprimorada, também foneticamente que não estava mais em, de constituir relatórios feitos pelos escribas para manter o arquivo palaciano, Segundo Vernant, os registros tinham agora o significado de uma cultura comum que a partir daquele momento: “ Terá correlação doravante com a função de publicidade; vai olhar de todos, os diversos aspectos da vida sócia e política”. ( 1972:25).
As mudanças e aplicações inovadoras caracterizaram um novo significado social e psicológico, contribuindo na transformação da sociedade. As transformações oriundas do desenvolvimento tornam-se elementos de uma cultura comum, os conhecimentos, valores, técnicas mentais, que são levadas ao conhecimento do povo, expostos a críticas e à controvérsias,isso demonstra idéias conservadoras que não eram mais garantia de poder e tradições familiares, promovendo interpretações diversificadas com vários pontos de vista. A Instituição Estado com sua magistratura e as leis da polis, constituída moralmente, mantém o controle da comunidade e o poder absoluto do monarca já não se impõe força e o submete à prestação de contas como todo os cidadãos, com retidão e conhecimento. No quadro da cidade, concentrava todos os planos estavam instrumentados no plano intelectual, conhecedores de uma cultura comum para divulgar os conhecimentos que eram previamente reservados e interditos.
A escrita passa figurar como satisfação, tornando público de direito como a língua falada e um bem comum de todos os cidadãos, contribuindo na publicidade do conhecimento popular, tornando elemento básico na constituição da PAIDÉIA grega, que configura as aspirações sociais desde o nascimento da cidade que é a redação das leis que ao constituí-las, assegura-lhes o direito, tornando um bem comum a todos os cidadãos.
Platão diz em a “República”, que Homero é o educador da Grécia Antiga, seus poemas, de cultura grega, transmite à todas as culturas ocidentais e latinas, derivadas da greco-romana, abrangendo a religião, à poesia, língua ( lírica/poética), costumes e idéias.
Nesse período, Homero e Hesíodo, desenvolve um processo didático-poético, apontando para o entendimento do ideal de justiça e trabalho, apresentando a nação e conceito de dignidade tão presente na atualidade, isso é tão presente que na afirmação de Souza: “ O período Homérico caracteriza-se por um processo educativo em que a tradição oral, mesmo porque grande parte do povo era analfabeta”. (2006:35.)
Que através da poesia transmitia a cultura e compreensão de um ideal de homem, que no helenismo a Paidéia, torna-se um ideal de educação geral, enciclopédico, proporcionando conhecimento que contribuiria na formação de um homem culto, sábio, disseminando a organização de instituições escolares, com o ensino caracterizado pelas sete artes liberais: gramática, retórica e dialética, como disciplinas da área humana, e, aritmética, música, geometria e astronomia, como disciplinas das ciências.
BIBLIOGRAFIA
- LUZURIAGA Y MEDINA, Lorenzo. (1889 – 1959), História da
Educação e da Pedagogia, tradução de Luiz Damasceno Penna e
J.B.Damasceno Penna. 5ª edição, SP, Ed. Nacional, 1971.
- JAEGER, Werner Wilhelm. 1888 – 1961. Paidéia: a formação do homem grego. Tradução Artur M. Parreira, 4ª ed. SP. Martins Fontes, 2001 ( Paidéia). (adaptação do texto para educação brasileira Mônica Stahel, revisão do texto grego Gilson Cardoso de Souza).
- SAHLINS, Marshal David – 1930. Cultura e razão prática. Tradução Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão: revisão técnica Luis Fernando Dias Duarte. RJ. Ed. Jorge Zahar. 2003.
- VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego.
Tradução Isis Lana Borges. Ed. Difusão Européia do Livro. SP. 1972.
- CASSIRER, Ernst. Antropologia Filosófica. Introdução a uma
filosofia da cultura humana. Trad. Dr. Vicente Felix de Queiroz. 2ª
edição, Ed. Mestre Jou, SP> 1977.
- Refundar a educação: educação brasileira contemporânea : situação e
perspectivas ; Leonardo Prota ( organizador). – Londrina : Edições
Humanidades : Apucarana : FACNOPAR, 2002.
- História da Educação / Neusa Maria Marques de Souza (org.); Ana Paula Gomes
Mancini ...( et al) SP. Avercamp, 2006.
- LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. 1ª edição, SP> Ed. Mestre
Jou, 1970.
A PAIDÉIA COMO FORMAÇÃO INTEGRAL DO HOMEM.
José Carlos Paraguaio
O homem é um ser histórico e por si só, cultural, partindo desde as culturas mais antigas, desde o aparecimento do homem, o pensamento grego é um marco na evolução humana, influenciando todo o ocidente. Para que possamos entender esse processo, desenvolver-se-á conteúdos através da pesquisa bibliográfica, objetivando a disseminação desse conhecimento histórico, para contribuir com a formação de um homem íntegro em toda sua plenitude.
Segundo Paim: “Paidéia é um conceito que na Grécia antiga significava a educação plena do homem”. (in Prota, 2002:15).
A reflexão sobre educação, permite-nos dissertar que; educação é um processo em construção permanente, e o homem como um ser cultural, é um ser que se educa constantemente, que a Paidéia grega, colabora para que a teoria gramsciana constroem a nova sociedade caracterizada na formação da cidadania.
A Paidéia, é um tema difícil de definição, como também o é, a filosofia ou a cultura, tanto resistente e importante quanto deixar-se eu sua fórmula abstrata. Só entendemos o conceito quando o relacionamos com a realidade. Ao empregarmos o termo Paidéia, estamos exprimindo a idéia de pensamento do homem grego, porém as influências para o mundo latino e ocidental, usam as expressões modernas como civilização, cultura, tradição, literatura ou educação, para melhor compreensão, estudamo-las separadamente, os que seriam num conceito grego, estudam-nas todas de uma só vez. Enfim, valores como educação e cultura se concretizam através da literatura, retratando a expressão de toda cultura superior.
Estudo da história é o significado representativo e ilustrativo da realidade humana através dos tempos, assim sendo tem o seu valor em si mesma, de nada valeria se apenas fosse reportado pelo prazer do conhecimento erudito. Ao solicitar no presente, ensinamentos para os entendimentos de fatores que agora estão inseridos, vale dizer que há necessidade de buscar a compreensão histórica para antecipar as conseqüências dos fenômenos no ambiente do qual estamos inseridos. Enfatiza-se que no desenvolvimento da vida humana, manifesta-se a história da cultura que são produtos da mente humana, apresentando-se na arte, na técnica, na ciência, na moral ou na religião, cada um em suas instituições, donde a educação é uma dessas manifestações culturais que também registra sua história, como conceitua Luzuriaga:
“ Educação é a influência intencional e sistemática sobre o ser juvenil, com o propósito de formá-lo e desenvolvê-lo. Significa também; a ação genérica, ampla, de uma sociedade sobre as gerações jovens, com o fim de conservar e transmitir a existência coletiva”. ( 1971:1).
O mecanismo educacional não transforma o mecanismo funcional social, quanto a concepção de si e da missão de transformação do homem, nas instituições como pressupostos culturais resistentes a novas adaptações, que só se transformam como novas ideologias revolucionárias desconstruindo preciosos elementos de sua cultura, que causam conseqüências desastrosas levando séculos ou para várias gerações para reconstruí-las. No processo da educação em seus primórdios os homens primitivos, espontâneos e naturais aprendiam e ensinavam como rito de iniciação de convivência e sobrevivência, segundo Larroyo:
“ Os usos e costumes, as idéias religiosas e os ritos dos primitivos são assimilados pelas gerações jovens sem um mecanismo complexo. A devida forma das gerações adultas transmite-se às crianças e aos jovens por mera imitação: é uma rotina adaptar-se às necessidades materiais e religiosas da comunidade em que vivem”. (1970:46).
Como esse gênero de vida nos parece tão próximo das condições naturais, demonstra que a aprendizagem se faz com real suavidade. Como afirma Hubert: “ não há tribo, por mais humilde que seja, que não tenha patrimônio por transmitir, não só de mão em mão, mas de espírito a espírito”. ( História da Pedagogia, 1987:7).
A evolução da cultura do homem ao longo do tempo, contribui para a modificação de comportamentos, mas não permite o desaparecimento da educação primitiva. Hoje em época diferente, a família como primeira instituição social humana, permanece com suas superstições, suas histórias, brincadeira, segredos, tabus, folclores, transmitindo às novas gerações.
Reconsiderando a Idade Média um momento de privações em voltado para a Divindade, sai dali uma nova conduta do pensamento grego, com o surgimento institucional da cidade e racionalização do pensamento. Após vários séculos (20), de relações interrompidas com o Oriente, o Helenismo retoma o contato e contribui para que o Oriente tome consciência de si. Assim, o grego também se reconhece como sociedade reflexiva, original e sua competência superior sobre o mundo da barbárie, encontrando caminhos para o poder absoluto do Rei, passa a ter a participação do povo em debates públicos, locais de acesso a toda sociedade com objetivos iguais, de quem o Estado é o bem comum de todos os cidadãos.
Segundo Vernant, entre 200 e 1900 a. C. , uma nova população surge na Grécia continental, com suas casas, suas sepulturas, seus machados de guerra, suas armas de bronze, seus utensílios, sua cerâmica, são registros das rupturas dos homens com as civilizações anteriores, tornando-se novos povos colonizando e fixando-se no Mediterrâneo do lado ocidental, constituindo-se um novo mundo grego como conhecemos historicamente. Somente no séc. IX, os fenícios, redescobrem a escrita de maneira mais aprimorada, também foneticamente que não estava mais em, de constituir relatórios feitos pelos escribas para manter o arquivo palaciano, Segundo Vernant, os registros tinham agora o significado de uma cultura comum que a partir daquele momento: “ Terá correlação doravante com a função de publicidade; vai olhar de todos, os diversos aspectos da vida sócia e política”. ( 1972:25).
As mudanças e aplicações inovadoras caracterizaram um novo significado social e psicológico, contribuindo na transformação da sociedade. As transformações oriundas do desenvolvimento tornam-se elementos de uma cultura comum, os conhecimentos, valores, técnicas mentais, que são levadas ao conhecimento do povo, expostos a críticas e à controvérsias,isso demonstra idéias conservadoras que não eram mais garantia de poder e tradições familiares, promovendo interpretações diversificadas com vários pontos de vista. A Instituição Estado com sua magistratura e as leis da polis, constituída moralmente, mantém o controle da comunidade e o poder absoluto do monarca já não se impõe força e o submete à prestação de contas como todo os cidadãos, com retidão e conhecimento. No quadro da cidade, concentrava todos os planos estavam instrumentados no plano intelectual, conhecedores de uma cultura comum para divulgar os conhecimentos que eram previamente reservados e interditos.
A escrita passa figurar como satisfação, tornando público de direito como a língua falada e um bem comum de todos os cidadãos, contribuindo na publicidade do conhecimento popular, tornando elemento básico na constituição da PAIDÉIA grega, que configura as aspirações sociais desde o nascimento da cidade que é a redação das leis que ao constituí-las, assegura-lhes o direito, tornando um bem comum a todos os cidadãos.
Platão diz em a “República”, que Homero é o educador da Grécia Antiga, seus poemas, de cultura grega, transmite à todas as culturas ocidentais e latinas, derivadas da greco-romana, abrangendo a religião, à poesia, língua ( lírica/poética), costumes e idéias.
Nesse período, Homero e Hesíodo, desenvolve um processo didático-poético, apontando para o entendimento do ideal de justiça e trabalho, apresentando a nação e conceito de dignidade tão presente na atualidade, isso é tão presente que na afirmação de Souza: “ O período Homérico caracteriza-se por um processo educativo em que a tradição oral, mesmo porque grande parte do povo era analfabeta”. (2006:35.)
Que através da poesia transmitia a cultura e compreensão de um ideal de homem, que no helenismo a Paidéia, torna-se um ideal de educação geral, enciclopédico, proporcionando conhecimento que contribuiria na formação de um homem culto, sábio, disseminando a organização de instituições escolares, com o ensino caracterizado pelas sete artes liberais: gramática, retórica e dialética, como disciplinas da área humana, e, aritmética, música, geometria e astronomia, como disciplinas das ciências.
BIBLIOGRAFIA
- LUZURIAGA Y MEDINA, Lorenzo. (1889 – 1959), História da
Educação e da Pedagogia, tradução de Luiz Damasceno Penna e
J.B.Damasceno Penna. 5ª edição, SP, Ed. Nacional, 1971.
- JAEGER, Werner Wilhelm. 1888 – 1961. Paidéia: a formação do homem grego. Tradução Artur M. Parreira, 4ª ed. SP. Martins Fontes, 2001 ( Paidéia). (adaptação do texto para educação brasileira Mônica Stahel, revisão do texto grego Gilson Cardoso de Souza).
- SAHLINS, Marshal David – 1930. Cultura e razão prática. Tradução Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão: revisão técnica Luis Fernando Dias Duarte. RJ. Ed. Jorge Zahar. 2003.
- VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego.
Tradução Isis Lana Borges. Ed. Difusão Européia do Livro. SP. 1972.
- CASSIRER, Ernst. Antropologia Filosófica. Introdução a uma
filosofia da cultura humana. Trad. Dr. Vicente Felix de Queiroz. 2ª
edição, Ed. Mestre Jou, SP> 1977.
- Refundar a educação: educação brasileira contemporânea : situação e
perspectivas ; Leonardo Prota ( organizador). – Londrina : Edições
Humanidades : Apucarana : FACNOPAR, 2002.
- História da Educação / Neusa Maria Marques de Souza (org.); Ana Paula Gomes
Mancini ...( et al) SP. Avercamp, 2006.
- LARROYO, Francisco. História geral da pedagogia. 1ª edição, SP> Ed. Mestre
Jou, 1970.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
JOHN DEWEY, Um Filósofo Educador
Prof. José Carlos Paraguaio
O planeta em que vivemos é de uma origem e beleza inexplicável, porém discutível, a diversidade existente, entre elas, a presença humana, é apresentada pela biologia que demonstra o privilégio dos seres vivos que o habita, classificando os animais em racionais e irracionais. A responsabilidade de promover o conhecimento e melhorar as condições de sobrevivência cabe ao ser humano através do uso da razão. Para que possamos entender melhor o meio em que vivemos, fundamenta-se na contribuição de Eduardo Prado de Mendonça:
“O homem é um animal racional, ele não pode agir sem usar sua razão, e, quando ele não o faz de forma consciente e filosófica, ele o faz irrefletidamente e como diletante.”
(1984:14).
O homem por ser, um ser pensante deve sempre estar em busca da verdade, indicando a verdade revelada ou na filosofia que nos induz ao conhecimento que mais se aproxima da verdade, por isso, o desenvolvimento intelectual passa por um processo de educação desde os mais primitivos dos homens até os dias atuais.
A educação é um processo irreversível na comunidade humana, para proporcionar na comunidade humana, para proporcionar uma condição de relacionamento e compreensão entre os povos, no entender de Luzuriaga:
E a influência intencional e sistemático sobre o ser juvenil, com o propósito de formá-lo e desenvolvê-lo. Mas significa também a ação genérica, ampla, de uma sociedade sobre as gerações jovens com o fim de conservar e transmitir a existência coletiva.
(1971:1).
Nesse sentido, sem deixar perder sua herança cultural, o ser humano vais se desenvolvendo e integrando aos novos comportamentos culturais e sociais que a sociedade lhe apresenta.
Não poderia deixar de registrar o mais ilustre discípulo de Dewey em território brasileiro, o educador Anísio Spínola Teixeira, um dos mais importantes idealizadores da escola nova, não de um pragmaticismo, mas de pum pragmatismo reflexivo, que contribui no processo da educação brasileira, conceituando a “educação como reconstrução da experiência”, afirmando que todos os seres humanos trazem consigo experiências que vão ajudando no seu desenvolvimento, desta feita:
O universo é um conjunto infinito de elementos, que se relacionam de maneira a mais diversa possível, A multiplicidade e variedade dessas relações o fazem essencialmente precário, instável, e o obrigam a perpétua transformação. ( Teixeira in Dewey: 13)
Com este breve relato, entendemos a precariedade do homem no mundo, e nesse mesmo mundo em constante e necessária evolução, a importância de um dinâmico esforço do próprio homem para enfrentar os fenômenos do mundo moderno, democrático e científico, é o elemento configurado no pensamento de John Dewey.
JOHN DEWEY, 1859 -1952 – EUA.
Ingressa na Universidade em 1875, gradua-se em 1879, trabalha três anos como professor secundário, 1884 obtém o título de doutor em Filosofia pela Universidade John Hopkins, de Baltimore, e é contratado como professor na Universidade de Michigan, tornando-se diretor do departamento de Filosofia. É querido pelos alunos com a característica, mostrando ser cortês na aula, evitando impor-lhes seus próprios pontos de vista.
John Dewey formou-se filósofo, porém, suas idéias educativas estavam relacionadas ao pragmatismo, como filósofo não se pode dispensar as reflexõess filosóficas e educativas, e no lado pedagógico a valorização da vertente filosófica, nesse encontro de conhecimentos leva-se em conta o compromisso político, pois para Dewey, filosofia e educação não podem ser vistas desligadas uma da outra.
A filosofia instrumentaliza para a interpretação dos conflitos sociais e a educação comprova as hipóteses por ela levantadas. Para Dewey, o homem nasce desprovido de conhecimentos, conforme vai adquirindo experiências vai aprendendo a ser homem, através do acúmulo dessa experiência e o desenvolvimento de seu intelecto, a educação promove o entendimento e significados dos elementos a sua volta, criando uma relação de reciprocidade entre os indivíduos que o rodeiam. Em seu crescimento e desenvolvimento contínuo e sua relação natural com as experiências humanas é que se orientam as práticas educativas democráticas, que segundo Beltrán:
“Dewey, não entendia a democracia – e nisso reside sua contribuição original – como regime de governo, mas como forma de vida e um processo permanente de liberação da inteligência.” ( 2003:49).
Isso reafirma que a ação humana deve fundamentar-se no princípio da razão, pensamento coletivo, nossa inteligência é constituída de forma a desenvolver-se continuamente, concretizando através das interações sociais no meio em que estamos inseridos. O homem é um ser político, como homem está sempre a educar-se, portanto, educação é uma ação política, por isso, para Dewey:
“A democracia é o nome desse processo permanente de libertação da inteligência. A construção da democracia só pode ser conseguida a partir da educação e, portanto, é necessário que os sistemas educacionais sejam também democráticos”.
(2003:51).
Vida e educação, educação e vida, é a única ação conjunta que deve submeter-se sempre a um controle reflexivo, sem isso, será mera reprodução dos sistemas existentes das classes sociais dominantes. Entretanto, a educação funcional e intencional, como exposto anteriormente, sendo que a responsabilidade deverá ser atribuídas ás instituições escolares assegurando os princípios democráticos, possibilitando a integração das comunidades num processo contínuo de reconstrução social.
Á Escola cabe proporcionar um ambiente particular para realizar experiências da vida social, confrontando a individualidade com conteúdos específicos escolares, sendo os professores formados para a iniciativa intelectual, a discussão e a capacidade de decisão, quebrando assim conceitos pré-estabelecidos Para Dewey:
“A escola não é uma preparação para a vida, senão que é a própria vida, depurada; na escola o aluno tem que aprender a viver.” (Luzuriaga, 1971:249).
Assim, a escola deve ensinar o conceito de liberdade, que o aluno aprenda a viver num processo contínuo da valorização de si e do outro, ou seja, valorização da vida humana.
REFERÊNCIAS
- DEWEY, John. Vida e educação, tradução e estudo preliminar por Anísio S. Teixeira. 10ª ed. SP. Melhoramentos.
-LUZURIAGA Y MEDINA, Lorenzo, 1889 – 1959. História da educação e pedagogia. Nova tradução de Luiz Damasco Penna e J. B. Damasco Penna, 5ª ed. SP. Nacional,
( 1971).
- PEDAGOGIAS DO SEC. XX – organizado por Jaume Carbonell Sebarroja ... (et.al) trad. Fátima Murad. Porto alegre: Artmed, 2003.
O planeta em que vivemos é de uma origem e beleza inexplicável, porém discutível, a diversidade existente, entre elas, a presença humana, é apresentada pela biologia que demonstra o privilégio dos seres vivos que o habita, classificando os animais em racionais e irracionais. A responsabilidade de promover o conhecimento e melhorar as condições de sobrevivência cabe ao ser humano através do uso da razão. Para que possamos entender melhor o meio em que vivemos, fundamenta-se na contribuição de Eduardo Prado de Mendonça:
“O homem é um animal racional, ele não pode agir sem usar sua razão, e, quando ele não o faz de forma consciente e filosófica, ele o faz irrefletidamente e como diletante.”
(1984:14).
O homem por ser, um ser pensante deve sempre estar em busca da verdade, indicando a verdade revelada ou na filosofia que nos induz ao conhecimento que mais se aproxima da verdade, por isso, o desenvolvimento intelectual passa por um processo de educação desde os mais primitivos dos homens até os dias atuais.
A educação é um processo irreversível na comunidade humana, para proporcionar na comunidade humana, para proporcionar uma condição de relacionamento e compreensão entre os povos, no entender de Luzuriaga:
E a influência intencional e sistemático sobre o ser juvenil, com o propósito de formá-lo e desenvolvê-lo. Mas significa também a ação genérica, ampla, de uma sociedade sobre as gerações jovens com o fim de conservar e transmitir a existência coletiva.
(1971:1).
Nesse sentido, sem deixar perder sua herança cultural, o ser humano vais se desenvolvendo e integrando aos novos comportamentos culturais e sociais que a sociedade lhe apresenta.
Não poderia deixar de registrar o mais ilustre discípulo de Dewey em território brasileiro, o educador Anísio Spínola Teixeira, um dos mais importantes idealizadores da escola nova, não de um pragmaticismo, mas de pum pragmatismo reflexivo, que contribui no processo da educação brasileira, conceituando a “educação como reconstrução da experiência”, afirmando que todos os seres humanos trazem consigo experiências que vão ajudando no seu desenvolvimento, desta feita:
O universo é um conjunto infinito de elementos, que se relacionam de maneira a mais diversa possível, A multiplicidade e variedade dessas relações o fazem essencialmente precário, instável, e o obrigam a perpétua transformação. ( Teixeira in Dewey: 13)
Com este breve relato, entendemos a precariedade do homem no mundo, e nesse mesmo mundo em constante e necessária evolução, a importância de um dinâmico esforço do próprio homem para enfrentar os fenômenos do mundo moderno, democrático e científico, é o elemento configurado no pensamento de John Dewey.
JOHN DEWEY, 1859 -1952 – EUA.
Ingressa na Universidade em 1875, gradua-se em 1879, trabalha três anos como professor secundário, 1884 obtém o título de doutor em Filosofia pela Universidade John Hopkins, de Baltimore, e é contratado como professor na Universidade de Michigan, tornando-se diretor do departamento de Filosofia. É querido pelos alunos com a característica, mostrando ser cortês na aula, evitando impor-lhes seus próprios pontos de vista.
John Dewey formou-se filósofo, porém, suas idéias educativas estavam relacionadas ao pragmatismo, como filósofo não se pode dispensar as reflexõess filosóficas e educativas, e no lado pedagógico a valorização da vertente filosófica, nesse encontro de conhecimentos leva-se em conta o compromisso político, pois para Dewey, filosofia e educação não podem ser vistas desligadas uma da outra.
A filosofia instrumentaliza para a interpretação dos conflitos sociais e a educação comprova as hipóteses por ela levantadas. Para Dewey, o homem nasce desprovido de conhecimentos, conforme vai adquirindo experiências vai aprendendo a ser homem, através do acúmulo dessa experiência e o desenvolvimento de seu intelecto, a educação promove o entendimento e significados dos elementos a sua volta, criando uma relação de reciprocidade entre os indivíduos que o rodeiam. Em seu crescimento e desenvolvimento contínuo e sua relação natural com as experiências humanas é que se orientam as práticas educativas democráticas, que segundo Beltrán:
“Dewey, não entendia a democracia – e nisso reside sua contribuição original – como regime de governo, mas como forma de vida e um processo permanente de liberação da inteligência.” ( 2003:49).
Isso reafirma que a ação humana deve fundamentar-se no princípio da razão, pensamento coletivo, nossa inteligência é constituída de forma a desenvolver-se continuamente, concretizando através das interações sociais no meio em que estamos inseridos. O homem é um ser político, como homem está sempre a educar-se, portanto, educação é uma ação política, por isso, para Dewey:
“A democracia é o nome desse processo permanente de libertação da inteligência. A construção da democracia só pode ser conseguida a partir da educação e, portanto, é necessário que os sistemas educacionais sejam também democráticos”.
(2003:51).
Vida e educação, educação e vida, é a única ação conjunta que deve submeter-se sempre a um controle reflexivo, sem isso, será mera reprodução dos sistemas existentes das classes sociais dominantes. Entretanto, a educação funcional e intencional, como exposto anteriormente, sendo que a responsabilidade deverá ser atribuídas ás instituições escolares assegurando os princípios democráticos, possibilitando a integração das comunidades num processo contínuo de reconstrução social.
Á Escola cabe proporcionar um ambiente particular para realizar experiências da vida social, confrontando a individualidade com conteúdos específicos escolares, sendo os professores formados para a iniciativa intelectual, a discussão e a capacidade de decisão, quebrando assim conceitos pré-estabelecidos Para Dewey:
“A escola não é uma preparação para a vida, senão que é a própria vida, depurada; na escola o aluno tem que aprender a viver.” (Luzuriaga, 1971:249).
Assim, a escola deve ensinar o conceito de liberdade, que o aluno aprenda a viver num processo contínuo da valorização de si e do outro, ou seja, valorização da vida humana.
REFERÊNCIAS
- DEWEY, John. Vida e educação, tradução e estudo preliminar por Anísio S. Teixeira. 10ª ed. SP. Melhoramentos.
-LUZURIAGA Y MEDINA, Lorenzo, 1889 – 1959. História da educação e pedagogia. Nova tradução de Luiz Damasco Penna e J. B. Damasco Penna, 5ª ed. SP. Nacional,
( 1971).
- PEDAGOGIAS DO SEC. XX – organizado por Jaume Carbonell Sebarroja ... (et.al) trad. Fátima Murad. Porto alegre: Artmed, 2003.
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